Linfoma, sintomas e tratamentos

O número de casos de linfoma cresce de forma acelerada, mas a população em geral ainda desconhece a doença

Linfoma, sintomas e tratamentos

Segundo o Inca, o número de casos de linfoma praticamente duplicou nos últimos 25 anos, principalmente entre pessoas acima de 60 anos.

As razões desse aumento não estão totalmente claras, mas, segundo Yana Novis, coordenadora da onco-hematologia do Hospital Sírio-Libanês, “postula-se que fatores ambientais, doenças virais e exposição a agentes químicos tenham um papel neste aumento”.
Para Garles Matias Vieira, onco-hematologista do Hospital A.C.Camargo, os motivos dessa elevação no número de casos está associado ao maior envelhecimento da população, casos de HIV, maior numero de pessoas submetidas a tratamento com imunossupressores como os transplantados de coração, rim, etc.
Yana Novis explica a complexidade da doença. “A caracterização do linfoma de Hodgkin e não-Hodgkin é feita pela patologia. O linfoma de Hodgkin é originado do linfócito B e possui um tipo de célula chamada célula de Reed Sternberg. O linfoma não-Hodgkin pode ter origem nos linfócitos B, T e NK”, esclarece. “O patologista é a pessoa que faz a classificação dos tipos de linfomas baseado na histologia e em outras reações específicas. De uma forma muito geral os linfomas de Hodgkin têm um prognóstico levemente superior aos não-Hodgkin. Porém, hoje existem, pela classificação da organização mundial de saúde, pelo menos 30 subtipos diferentes de linfoma e cada um deles têm as suas particularidades de tratamento e prognóstico”.
Pouco conhecido do público em geral, o linfoma pode ter cura quando diagnosticado precocemente. Segundo estudo realizado em 2008 pelo Instituto Datafolha, mais da metade da população brasileira desconhece o que é linfoma. Por isso é muito importante estar atento ao seu corpo para que qualquer sinal ou sintoma da doença seja relatado a um médico imediatamente. “Há linfomas agressivos que necessitam de quimioterapia o mais imediatamente possível, daí a importância em se ter um diagnóstico precoce, diz Garles Vieira. “Geralmente estes casos são potencialmente curáveis”, conclui.
Os sintomas mais comuns e que devem levar uma pessoa a procurar um médico, segundo Garles Vieira são: emagrecimento a partir de 10% do peso de base sem dieta para tal, febre (temperatura superior a 37.7) não relacionada a infecções, sudorese noturna, surgimento de linfonodomegalias – aumento dos gânglios linfáticos (as populares ínguas) no pescoço, na região submandibular (queixo), nas axilas e na virilha.
A melhor forma de estar atento aos sintomas é buscar sempre informação, orientação de qualidade e, para isso é importante disseminar o conhecimento adquirido. Para Garles Vieira, um maior conhecimento sobre a doença por parte dos próprios profissionais de saúde, sobretudo médicos generalistas, ginecologistas, cirurgiões, enfermeiros e dentistas, pode colaborar para o melhor entendimento da doença. “Além de mais divulgação na mídia”, alerta o onco-hematologista.
A maioria dos linfomas é tratada com quimioterapia, radioterapia, ou ambos, segundo o Inca. A imunoterapia está sendo cada vez mais incorporada ao tratamento, incluindo anticorpos monoclonais e citoquinas, isoladamente ou associados à quimioterapia. “Nos últimos anos o maior avanço no tratamento dos linfomas foram os anticorpos monoclonais. O mais comumente utilizado é o rituximabe. Esta droga é um anticorpo que ataca uma proteína na superfície das células dos linfomas B”, diz Yana Novis. “As chances de cura para a maioria dos linfomas é sempre muito boa. Os linfomas considerados agressivos têm uma maior chance de cura quando comparamos aos linfomas indolentes”.